seq. de twitts (“supper’s ready”)

Postado em Uncategorized em fevereiro 9, 2010 por Claudio

não conhecer genesis é um expediente típico da esquerda-nerd
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pro pacote completo, só faltava um cover do flaming lips e outro de 2 weeks do grizzly bear, q é um ripoff sem vergonha de carpet crawlers
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e o arcade fire quer ser genesis sete cinco da indiarada
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afinal, nunca é bom esquecer que SCATTERBRAIN, daquele radiohead, é um plágio de THE LAMIA
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é assim que se faz.
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grande sacada do PG nesse disco: fazer cover de quase todos os artistas que o CHUPARAM sem que a história conheça/reconheça
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06/07

Postado em Uncategorized em fevereiro 9, 2010 por Claudio

melhor temporada talvez, nem tava tão a fim/ ligado no que panda bear ou islands ou mesmo battles, newsom, knife, estavam fazendo, embora estivesse no que tv on the radio e grizzly bear faziam. mas acho que nunca encontrei tantas bandas que desdobrassem os sons e as sonoridades melódicas, harmônicas (a fortuna ocidental de não-exceção vamos dizer assim) para limites tão largos. era fascinado por indie-jazz escandinavo, absolutamente não-improv, completamente experimental em seu estudo de tensões e distensões pop dentro de um gênero/ plataforma que não permite que o cara faça muito isso sem parecer cafona, over. klabbes bank, e o efeito borboleta a partir de clube da esquina, indo parar na suécia de 2000’s. imersão na escandinávia, sem dungen ainda na cabeça, mais com coisas que só permaneceram na minha cabeça. pra azar da história.

domínio

Postado em Uncategorized em fevereiro 9, 2010 por Claudio

escuto a nova de ben + vesper, luvinldleness, e já percebo que o casal tá na pegada do domínio excludente, o domínio fudidão das coisas. escola white noise, pet sounds mesmo, ao que me parece, mais psyche-sessentista mesmo do que outras coisas que eles já tinham feito.

nunca teve um ben + vesper no brasil contemp..

+

que ABSURDAS essas novas canções do conan mockasin.

….

Postado em Uncategorized em fevereiro 9, 2010 por Claudio

uma das obras reveladoras do que vai ser o hip hop de vanguarda é um podcast (shlohmo podcast xlr8r google donwload). shlohmo, 19 anos, quem se importa, poderia ter feito uma das melhores músicas do ano passado (windowlight) mesmo com 40.

the knife, uma moda que passou em minha vida. óbvio que não renego na totalidade, mas to começando, via podcast do shlohmo um pouco, a pegar bode de arte fundada em estruturas hiper-construídas. hiper-hipers. mas tô aí pra defender o disco de qualquer filho da mãe que o analise vulgarmente também.

de outro lado, pensando sobre o que faz um grande disco: é uma grande frouxidão, decerto. ou por outro lado, outra corrente, uma grande elaboração (pet sounds?) que depois vai se afrouxar na multiplicidade de visões, nuances (deixar viver), etc, mas todas original e seguramente dominadas milimetricamente pelo seu autor: frouxidão (pós-domínio) e o domínio em si? eastwood e shyamalan?

a arte brasileira, em geral, claro que há a arte de exceção (buon giorno, pullovers, que é tão moderno quanto eastwood: diz aquilo que sabe, aquilo que quer dizer, foruxinho, mirando no que importa fazer – jogo de rugby, melodia), não é capaz de segurar nenhuma dessas ondas. a frouxidão de d.a não implica em um pós-domínio das coisas, porque essa mentalidade criada em barzinho e em universidade não me parece (herança reversa de chico buarque) ter procurado domínio real em algo construtivo entre cerveja e outra, daí que um “pós-domínio” da linguagem das coisas – de onde a frouxidão moderna se origina – me parece impossível. por outro lado, o esmero do domínio, num patamar mais “convencional” de música, quando foi reproduzido em tentativa recentemente por aqui, o foi de acordo com uma perspectiva publicitária. quase como uma “credencial” para se atingir determinado nicho, determinado público; a conciliação final entre a arte em forma espectral, inanimada, e o meio de divulgação – por outra, publicidade. “diretórios de criação”. “agências de parcerias”. “estilismo”. “arte final”.

proficuidade

Postado em Uncategorized em fevereiro 1, 2010 por Claudio

janeiro e fevereiro: uns 6 grandes discos contabilizados. acho que é mais do que em qualquer outro ano, se não em engano. uma fecundidade violenta, porque o cara, além de tar entendendo o idioma das coisas, pode fazer o disco em quanto tempo quiser. é ruim para a história, porque a história precisa de mecanismos de digestão mais eficientes para eternizar cada um deles, e o projeto de fourtuitismo publicitário em voga não ajuda muito o trabalho da história, in loco e na arquivologia.

grandes irmãos

Postado em Uncategorized em fevereiro 1, 2010 por Claudio

se o cinema chegou ao fundo do poço com dogville (marketing de “bons círculos culturais” mais baixo aliado ao cirque-de-soleilismo estético travestido de “proposta do caralho”, que capta justamente o povão “culto” que acha, coitado, que tá imune ao cirque de soleil…), é possível dizer que o novo disco do the knife é uma espécie de dogville da música, assim como é muito fácil chegar no fato de que o the knife é o lars von trier da música.

o ponto é que a publicidade aliada ao cinismo (“tudo foi já visto, vivido, gerado e inventado”) gera esse tipo de criatura cultural de “alto impacto”, que em sua terrível tendência ao espetáculo extra-arte, extra-disco, extra-filme, extra-problema, agoniza ela mesma num sem vida de reiterações de sentimentos, vibrações e comentários que, em suma, não existem, e que neste tipo de  caso são quase sempre irrelevantes, caros leitores: “a tristeza”, “a solidão”, “a crueldade humana”, “o vazio” – toda essa malha de sentimentos escandinavos globalizados desde que alguém inventou que bergman é bom -, e mais o resto desses jargões que você pode imaginar que, fora do contato direto com seu habitat (malmo, gotenburgo, oslo), perdem energia e sintonia com a experiência humana, se tornando uma espécie de cartilha estética do baixo sentimento carnivalizado e marketinzado pelo resto do mundo.

mas se dogville é um trucagem mal-concebida, eu não consigo parar de achar o novo the knife uma possível obra-prima. bom, para começar o lars von trier é um fascista que tem a coragem, ou a covardia, de filiar sua criação num discurso anti-estados unidos. ele faz uma arte infantilmente miliciosa, canalha, ridícula, motivada por marketing político/ cultural de esquerda (ou seja, fascismo do “mundo melhor”). já eu não sei o que o the knife fala em suas letras. mas deve ser algo sobre abuso infantil e sexo doloroso entre irmãos. esse é o primeiro ponto.

o segundo e engraçado ponto (o mais importante) é como o PROBLEMA cinema e o PROBLEMA música diferenciam ambos, e favorecem brutalmente, como expressão de arte, o the knife. a alta “visualidade” cênica, a “plasticidade” das coisas no cinema é a armadilha final, é onde os artistas de cinema se separam dos trapezistas do olhar (ou do não-olhar). e é difícil driblar o peso da visualidade numa arte visual. é o que separa, enfim, o marido da bjork de um romero, o von trier de um shyamalan, etc.

mas como a música trata de FORÇAS OCULTAS, basicamente é ela em si A GRANDE FORÇA OCULTA do mundo, o the knife consegue se safar, deixar todo o circo pra debaixo do tapete na minha experiência particular, e sua grande pretensão contemporanista, conceitualista, plasticista, acaba resultando numa grande usina de inquietações e interrogações musicais, imateriais, uma grande usina de estímulos e caminhos ocultos. e me sinto não tanto arrastado para um circo conceitual sórdido e cínico “pós-morte da arte” e mais para um lugar onde estão laboratorizando o invisível, o insondável, um sentimento contemporâneo dela, justamente pelo fato de ele não estar me MOSTRANDO NADA. o que se pratica lá é, vai à merda, obsessiva e progressivamente insondável, começa em henry cow e vai dar numa miscelânea eletrônica essencialista, o-que-importa-ista, pós-four tet 2010, mas ainda dentro de 2010. e com um amor por essa progressão (em cada faixa, de faixa à faixa) que sem dúvida justifica a existência de um disco de uma hora e meia.

o the knife constantemente resolve a questão da arte: libertar (não da ignorância, da direita, mas do conhecido, do sondável). a música, sendo a música, ajuda.

discaço burguês

Postado em Uncategorized em janeiro 29, 2010 por Claudio

as qualidades que fazem de contra bom são exatamente aquelas que colidem com o senso que elegeu o vampire weekend como idioma corrente no cenário de frivolidades fashionistas e esquesdinhismo indie mundial nos últimos 2 anos. é um disco de clássico-centro-americano culto. diferente da estréia, seus “hits” não são óbvios, são em áspas mesmo, pegam pelo contato repetido com as canções, e seus maneirismos já não soam comida para fashion-victims. embora paul simon e gabriel, eles como tradutores de elite muito mais que a áfrica e a música étnica em si, continuem lá, o segundo disco da banda é uma criatura anterior à neo-mundialização da cultura underground que foi um dos componentes que moldaram, a partir da mídia cultural, a febre da banda num primeiro momento. contra é uma espécie de retorno de um proselitismo americano, após o hibridismo, ou os hibridismos, terem se assentado como possibilidades de cadeira, e não mais de exceção na cultura ocidental. o fato é que eles aqui são usados, de fato, como matérias de cadeira, claras, nítidas, e não como tentativa inútil de exceção. um disco portanto “contra” o contra-proselitismo que se oficializaou a partir da mundialização da cultura.

como todas essas informações modistas do terceiro-mundo já estão mais do que refagocitadas na receita da música pop de hoje, não sendo mais exotismos, por consequência não dá para chamar mais o vampire weekend de uma banda “diferente”, de “a última coisa”. tradição?

o fato é que em contra, estamos no domínio não tanto de qualquer tradição, mas um domínio bem determinado mesmo assim, como foi dito, pré-mundialização: uma espécie de filme colegial dos anos 80 passado agora. um disco bem reagan em 2010, para localizar com precisão. para chegar na “última coisa” de novo, para a roda passar mais uma vez por lá no atual mundo do vampire weekend, agora falta muito. e nem por isso eles deixam de ser modernos, soam aliás mais modernos do que antes, pois entendem completamente a substância do que dizer e o fazem de maneira única. soam individuais, e modernidade, não é possível ver diferente num cenário tão congregacionista-ralé quanto o que está se anunciando, = individualidade, e também = consistência na apresentação das singularidades.

tudo muito americano-true no disco, que em sua consciência singularista e de futuro organizado nas bases do presente (synths novidadistas realmente bem “dialogados” com baixos the clash virulentos, fora esse temperamento geral de anos 80 “estilizados” 30 para frente), poderia ser uma excelente trilha feita pela banda fantasma dos monkeys para sua nova série em 2010. ou para um gatinhas e gatões dirigido pela cabeça de john hughes em futurama.

rapido, urgente, minimalista, detalhista e mesmo assim coeso, certo de onde está e para onde atirar, o vampire weekend fala hoje melhor com a música do que com catálogos de publicidade que se autodescrevem sites, revistas de cultura. é uma ducha de água fria no expediente do jornalismo cultural cafona e modista dos anos 2000. e uma ducha de progressiva água quente na cabeça dos que procuram uma música energizada por movimentos enraizados, mas vitaminada por uma mentalidade absolutamente esclarecida de seu tempo, da miríade cultual possível em torno dele e de sua própria espécie/ missão como atuante na contemporaneidade: ou seja, um maduro e excelente disco de classe média ocidental, convencido disso. a áfrica como estética (highlife, axé) e as pluralidades possíveis, embora estejam na pauta, são, mais do que nunca, um não-fetiche -  mesmo que continuem sendo, sob a perspectiva dessa movimentação e desse jornalismo cultural tão culto nos cânones quanto indigente, um vibradorzinho gostoso de usar (“ai, ce viu, o vampire weekend fez um axé!”). esses elementos são, dentro do campo de ação da própria banda, uma forma auxiliar de se desenhar uma linguagem fortíssima dentro dos limites em que eles se sentem bem, o da eterna juventude burguesa, colegial e urbana em cores americanas, com seus cantos, seus alongamentos, flexões e estiramentos de narrativa musical típicos (que convergem tanto para brian wilson quanto para um aaron copeland). reapropriações com zelo de quem os conhece de fato. quando se desaproximam daí, e saem da modernidade (= também a fazer em última instância aquilo que se vive e se sabe), vêm os maneirismos, mas nem eles desequilibram tal tônica.

é o disco menos 2000’s possível de uma banda que é tão fruto da facção da mesquinhez doutrinária, cosmopolita e pseudo-libertária dos 2000’s.

* nem fui procurar nem me interessa saber porque o disco chama contra, mas até onde lembre, tenho a idade do ezra (sou uns anos poucos mais velho), e nada mais lindamente burguês-americano que nintendo. portanto, não acredito que ele tenha feito um paralelo romântico entre o jogo de METRANCA e o amor, nem uma exaltação às milícias do terceiro-mundo que participavam como coadjuvantes do jogo. ele deve ter batizado de contra porque, como eu, sabe que é espetacular.

ciências da música em 2010

Postado em Uncategorized em janeiro 27, 2010 por Claudio

improv. + minimalismo maconheiro + lo-fi = estética do ensaio. gênero criado: rehearsoft rock (cool world).

elegância pós hip-hop calculada + lo-fi = estética de lounge em balada cool. gênero criado: coolo music (washed out), embora chamem de glo-fi.

niilismo + psicodelia real + classicismo pop + lo-fi = estética de ouvir rádio sonhando. gênero criado: AMdreamin (peaking lights, buon giorno luamada).

blogueiro brasileiro de música = burro.

à luz de copiar seus próprios caciques nacionais + pitchfork, rolling stone, na forma, na retórica, na pesquisa, na afetação, na maneira de escrever sobre as coisas interessantes ou não, oportunistas ou não, nas definições, nos (não)conceitos. nada mais pretensamente hi-fi do que a maioria deles.

seq. de twitts (#”i think you’re do contraaa”)

Postado em Uncategorized em janeiro 27, 2010 por Claudio

já deu pra perceber que cinema não é a do animal collective
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valeu @chikoguarnieri e @thiagocappi D+,ele era foda no detroit, entrou na nba no mesmo draft do kidd e do glenn robinson, esse não deu nada
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aquele grant hill dos anos 90 voltou a jogar basquete?
about 16 hours ago from web
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pra vc q curte coen, reitman, bergman, honoré, meirelles, iñarritu, jonze aprender algo sobre cinema http://cursodecritica.wordpress.com/
12:28 PM Jan 26th from web
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disco g~emeo de teen dream, mesmo temperamento, temperatura, tempo.
6:14 PM Jan 25th from web
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four tet definitivamente entrando no time EXTREMELY- anti-beat. e nem por isso deixa de costurá-los com primor. belo disco.
6:10 PM Jan 25th from web
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@suvillaverde o suzana, para de fazer socialzinha com personalidades do agito hyper paulistano pelo twitter vai. que vergonha total.
12:03 PM Jan 25th from web in reply to suvillaverde
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(cont.); são as virtudes e a visão da burguesia, as amparadas nessa lógica, que (mesmo irregulares) dão forma e transformam a arte.
11:44 PM Jan 24th from web
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contra = 87a prova que não adianta vir com papinho contra-proselitista de igualdade e rousseau.
11:41 PM Jan 24th from web
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ouvir alto, na pista, é bom. anti-beat, pró baixo palhetado ignorante
11:39 PM Jan 24th from web
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isso sem ser genial. só vivo.
11:38 PM Jan 24th from web
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contra = impressionante
11:35 PM Jan 24th from web
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as 3 frentes têm em comum basicamente o fato de falar com repolhos, o que, em última instância, foi o que a humanidade virou
11:34 PM Jan 24th from web
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meia-hora de Pitchfork TV, meia-hora de MTV matinal, meia-hora de festival de verão na globo = indústria musical, o que virou, intensivão
11:32 PM Jan 24th from web
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* exceção feita aos de sempre, claro (leitura).
10:57 PM Jan 24th from web
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* ou antes de qualquer coisa: como filmar dentro da europa, e não A europa? tema é coisa pra burro, e nem todos os filmes são burros
10:56 PM Jan 24th from web
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nem vi o filme, mas já recomendo aos de boa alma não ler nada a respeito. tô cansado de ouvir quem não manja “manjando tudo”
10:55 PM Jan 24th from web
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crítico que é crítico bom não fala de tema. e crítico bom vai falar de fita branca assim: um filme numa europa sem imagens. como filmar?
10:51 PM Jan 24th from web
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repetir nunca é demais: diga-me quem és que eu te digo com quem andas em dois-mil-e-déiz, valendo a inversão
4:51 PM Jan 22th from web
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teen dream na ilustrada

Postado em Uncategorized em janeiro 27, 2010 por Claudio

como eu não leio, me contaram, mas eu já avisei a victoria legrand sobre o artigo do thiago ney hoje esculhambando teen dream com ideias do porte de sugerir o disco como trilha da nova campanha publicitária de spike jonze para adultos carentes chamada equivocadamente de cinema.

na pauta de música da ilustrada, as coisas americanas/ internacionais em geral só passam a existir de fato quando entram naquele espacinho da direita vermelha do pitchfork conhecido como best new music. esse crivo é justamente o contrário de jornalismo de ideias que um disco como teen dream, e uma obra como a do beach house, exigiriam da sociedade com a qual dividem a existência temporal.

no mais, adolescente é a mãe (sabe-se que adolescência tem a ver com o outro condado da pitchfork, o dos punheteiros sem imaginação, afinal punheteiros todos são/ somos), o caderno de inflação mais puritana dos valores da esquerda cultural da vila madalena certamente não pegou a sacada do nome, e sobre teen dream, que exatamente por tais motivos subsequentes é irmão gêmeo do novo disco do four tet, só é possível dizer isso: melhor não escrever nada e sentir a temperatura (no grau dos verões intimistas) e seu tempo incrivelmente particular (não falo de minutos logicamente) do que tentar se meter a traduzi-lo em idioma de jornalismo cultural.

não precisa

Postado em Uncategorized em janeiro 21, 2010 por Claudio

é indisfarçável o prazer com que a p4k coloca na cara do site uma foto do contra e “vampire weekend hit number one: contra is the best-selling album in the U.S”, tipo “nós, ex-garotões mimados, hoje corporativistas indies, vencemos”. se o objetivo deles, desde um certo ponto da história foi esse do nerd-ambicioso, o de comer a indústria (o mundo) para torná-la ela própria (ele próprio) uma versão fagocitada por eles — e em boa parte conseguiram –, não há mais razão de publicar em primeira página um anúncio como esse, com essa baba de satisfação escorrendo pelas bordas do site. a p4k não precisa legitimar, comprovar sua postura fágica de guerrilha musical de escritório (war of the music offices) pós-alternatividade: ela já é a própria legitimação. ela venceu sim, assim como a publicidade venceu, e ela mesmo, p4k, já produz as sequelas de sua própria e cabal vantagem nesse fronte (afinação de um “novo” gosto pop com as estruturas de entretenimento, cultura pop, moda, publicidade, etc — enfim, tudo o que há de rigorosamente industrial e rigorosamente não-independente). ela já é a autora das histórias nesse país pós-guerra: claro, o campo estrito da indústria nível 1, falamos desse país; não necessária e exatamente onde, mais uma vez, a música está se fazendo.

bom, melhor a p4k e todo o ciclo de sagração da publicidade, moda, etc, do que o domínio da china, de quem ainda espero uma auto-explosão até 2020. o pior é que nesse ciclo, considerando p4k = promoção tanto da mais tacanha música americana pra ilustrada e blogueiro da selva copiar como das características menos americanas da grande música do país = neo-esquerdismo descoladinho (publicidade inclusa) amante dos cus do mundo e dos totalitaristas… considerando tudo isso, a china, a pior cultura que o mundo gerou, tá com tudo mesmo, principalmente nos eua.

esplendor

Postado em Uncategorized em janeiro 21, 2010 por Claudio

já comentei dois posts abaixo o quanto o beat limpo da warp 2000 é paralelo à quase-maldição do beat gordo cosmopolita da pobreza em 2009/ 2010. e na música eletrônica, a estética warp revista em ciclos e tal, chegando em 2010, é como rever a forma tom jobim, do mesmo jeito praticamente, até os anos… 90, sei lá. não é exatamente uma atitude de despacificação da ordem histórica-musical.

mas o que importa?

até me provem o contrário, splendour, do pantha du prince, é a melhor faixa de 2010.

oVo

Postado em Uncategorized em janeiro 21, 2010 por Claudio

com exceção daquilo que ainda podem produzir o pessoal de portland (menomena, ramona falls) e também uma ou outra mente iluminada que aparece por aí, é sabido que, de gente nova, pouco se pode esperar do indie rok/ pop “trad”. é um estilo, ou uma conjunção americana de estilos nos anos 90-2000, que morreu em suas essencialidades de fescor, ou pelo menos se tornou inapelavelmente outras coisas, alegórica (as farsas da narrativa histórica fleet foxes e japandroids) e etnicamente (vampire weekend) falando.

no esgotamento dos argumentos originais dessa seara estética e na operação de castração da identidade americana que foi todo o processo global de campanha por obama, foi pelo ralo histórico (deixou de ser decisivo pra história, por outras palavras) muito daquilo que se fez de mais americano. inclusive o indie rock/ pop. quer dizer, eu não acho vampire weekend por exemplo pouco americano não, tem tudo lá (college nerdism, uma vasta tentativa de reenquadrar, muito, mas muito mais que animal collective em qualquer ponto, questões do pet sounds no mundo de agora), mas a imagem que se constrói do vampire weekend, por exemplo, é justamente a dessa banda que é boa porque não é americana de espírito. o vampire weekend ganhou o jogo pelo seu cosmopolitanismo, e há a distroção à qual me refiro clara nesse processo. a música legitima a americanidade sim, mas em parte, e a outra parte acaba, por mão contrária, legitimando o sentimento de castração do que há de mais americano: almofadinhas da fraternidade fazendo música em loucor aos valores da república, garagistas niilistas reinventando a harmonia no rock, nerds psicodelistas do interior querendo achar uma solução para anos de abuso no colégio por parte dos chucrões country, alienados amigos do computador etc.

ok, ir pra áfrica é bem legal, também acho até, mas o grandaddy acabou em 2006, e bem… resumindo tudo, esse é o ponto do declínio do indie nacional como linguagem de liderança. eufemismo, só houve indie rock/ pop, essencialmente, nos estados unidos.

bom, assim, é claro que coisa fina dessa forma de música podemos esperar de outros países: tipo dinamarca. excelente, mesmo, o disco do oh no ono, uma banda que me impressionou que nem o figurines já tinha feito antes.

o oh no ono é melhor, e mais iniciado, erudito mesmo, em termos de codificação e gestualística “classic indie pra iniciados”. você pega o que arcade fire, field music (que é inglês), blonde redhead, flaming lips, beulah produziram de melhor até 2006 / 2007 e realmente você encontra tudo isso no oh no ono como um belo, e livre, trabalho de mestrado.

tem, até por isso, uma grande vocação para flutuações de clima bruscas ao longo do próprio álbum, eggs, de blonde redhead até beulah, até o arcade fire mais orquestral, o que torna o todo não exatamente descansado ou esquisito, mas realmente instigante.

tem um vocalista que se faz de bicha, mas um outro de voz desajeitada mas adorável (esse é o futuro), e nesse carnaval pós indie-pop um tanto anárquico – e dadas as condições históricas, um tanto de fim dos tempos – está uma das melhores pepitas de 2009 a se fazer justiça em 2010.

anti-beat

Postado em Uncategorized em janeiro 16, 2010 por Claudio

não que, pela visualização frequente do estado das coisas, seja algum tipo de surpresa, não é. mas sempre assustador e (imutavelmente) surpreendente e preocupante a constatação de que a ligação com a música (do mundo com a música, das pessoas com a música) é cada vez mais condicionada pelo beat grave, insinuante. pela negociação desfavorável, leonina, da composição, da ideia, com o pulso, o periférico, em benefício final de seu sequestro pela textura robótica e sobretudo pelo beat grave (yeah yeah yeahs). o teor afetivo da relação que se contrói hoje, meça euforias nos melhores lugares de música de ponta em sp, é exclusivamente moderado pela força do beat, uma espécie de princípio neo-dança da chuva que cabe bem, cai como uma luva nesse projeto social global de esquerda de exaltação telúrica e pré-intelectual/científica das coisas “rústicas”. como se uma música do phoenix não valesse pelas métricas inocentes, a nanição bee gees, o cinismo pós-histórico coletivo de se considerar aquilo bom e verídico… por toda essa sua verdade factual e consciente, enfim, mas sobretudo pelo impacto tribal e imposto do esforço rítmico de assalto. esse animal collective novo, em sua neo-transcendentalidade consciente mas preparada para pré-conscientes, tb, só foi comprado aqui, em termos, por apelar pra batida forte, o que é irônico em se tratando de um disco que tem no canto profético e teológico a sua força real e mobilizatória. não vejo dançarem dubstep com amor, nem ouvirem com disciplina, quem sabe porque os bons autores dessa coisa (untold) ainda criem uma negociação melhor lá em cima, ou mais entrópica mesmo (ac cria uma boa negociação).

“mas dança e tribalidade sempre existiram”. não com esse grau de frivolidade decantada como arte. no way.

é essa constatação que faz essa maré re-africana (menos como conteúdo em si, que apresenta nuances admiráveis) um índice do derretimento dos gostos musicais. esse retorno, em amplitude e nas pistas, à áfrica não é o retorno à origem, ao “pangea”, ao elogio da atmosfera e à catarse épica de um fela recriado, é mais e sem dúvida um sinal de retardamento fashionizado, infantilizado, pós-Diplo, dos interlocutores. embrutecimento, perfeitamente diagnosticável.

daí que a única saída talvez seja mesmo, para hoje, o anti-beat. o beat marginal por ser controlado pela música (blues control, best hits, mesmo clark, etc).

lost

Postado em Uncategorized em janeiro 13, 2010 por Claudio

5 coisas que detesto sobre a série.

consagração do dogma, dogma corrente como tal na cobertura do jornalismo cultural pop de protosumidades antenadas (ver blogueiros do  IG, O Esquema), do “bom roteiro”. essa ideia cadavérica, desinstruída, de fã de iñarritu, meirelles, paul thomas anderson, de que arte cinética depende da boa história, do bom enredamento, do bom texto, e particularmente dos bons dribles. e mais: falando dos bons “dribles”, o que o shyamalan criou para o bem da obra dele e do mundo (a surpresa cronológica/ ambiental/ moral como um mecanismo narrativo de debate entre tempo, poder, cinema, e de fusão interlinguagens – quadrinhos e cinema) e kaufman para o mal do cinema (a surpresa como truque tecnicista, cosmético, fetichista) está integralmente em lost, que se cria uma relação prevalente com a habilidade do texto, esta é de dependência e cárcere. recondicionar o cárcere em exuberância é outro negócio… mas é um cárcere em primeira via realmente.

os fãs: basicamente o lucio ribeiro, o alexandre mathias e toda a lista de contatos deles no twitter. novelismo-BBB que se criou em relação a série, com efeito simbolizado por duas rotinas extrasérie e entre os fãs: o comentário frouxo sobre os personagens e os desdobramentos, no sentido “eu odeio Jack!”, “Jack é demais!”, “eu adoro o Locke”, a crítica ao estilo “nessa parte o bolo desandou”, simultânea ao desenvolvimento da série, tipo “não gostei do que eles encontraram na casa da floresta”, como se a série fosse um reality-game que pudesse servir a uma relação passiva de satisfação ou não das vontades dos “clientes”. se esses caras todos da cultura pop “especialista” estão entre os maiores publicitários do brasil, não é estranho que a coisa tenha ido por esse rumo no campo-extra.

o fato dos criadores não terem nitidamente explorado 80 % das possibilidades que a história permitiria, em nome de uma conservação dos fluxos narrativos “obrigatórios” e mais próximos do “convencional aceitável” para uma produção que atingiria 15 milhões de expectadores. se o estado máximo de criação da série é o embaralhamento do tempo a partir de um determinado ponto, seria coerente imaginar o além-do-imaginável na quarta temporada e na quinta também, que foram relativamente tímidas, ambas. por outra via, as partes absolutamente descartáveis do fluxo convencional da série dizem respeito a uma tentativa de caracterização afetiva de certos personagens (tipo kate) que descende do que o cinema indie americano criou de pior (ou seja, tudo: personagens-iconográficos-de-abusos, personagens humaninhos, personagens perdidinhos estilo sundance, etc).

essa ideia de hiperTV próxima do cinema (e para os mais desinstruídos em particular, de “TV que supera o cinema e se torna o novo cinema na primeira década deste século”) que o bruno sondou bem (google signo do dragão bruno andrade).

as “referências”, o mar de “referências”, essa especialização-nerdística que provém do pior que os quadrinhos legaram e que, pelo o fato dos nerds que sofriam nos anos 80 terem crescido e se vingado, passou a contar com o status de procedimento 1 de criação nos anos 00: o referencialismo construtivo, essa sublinguagem prima da publicidade;

na mesma linha, a pseudo-filosofia, e com efeito o posicionamento da série – por uma via expressa paralela à da eleição do obama (não falo aqui dele por causa ele, mas pelos seu quorum evangelizado-crente) – como indicativo e mola-simbológica da vitória dos valores “humanos” de “origem”, os “valores castos” (intuição, fé, ocultismo) sobre a perigosa, perniciosa e limitada ciência. esse tique neo-esquerdinha de vegetarianista fanático, meio que legitimado pela série. talvez a última temporada desminta isso.

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5 coisas que gosto sobre ela.

a extrema dedicação em se criar um universo palpável durante 6 anos, o que torna a revisita às temporadas anteriores uma jornada aconchegante e testemunho de um trabalho sólido de lapidação de um mundo próprio e extenso – o que talvez seja de fato a grande vocação da TV, mas quem sabe não explorada até hoje com o cuidado com que foi durante os anos da série.

a pulsação progressiva da série ao articular flashbacks e, mais tarde, flashforwards. no começo, os flashbacks vão do insosso ao justificável, do justificável ao instigante, até explodirem numa massa perfeitamente coerente e impressionante chamada futuro. o que prova que os backs não eram ferramentas explicativas de alicerçamento (o que seria já perfeitamente solicitável por/ para uma série de TV), eram simplesmente células conexas que, como num tema pós-rock, existiam para poderem ser desconectadas e desesturturadas depois – pelo prazer de se exercitar isso. não um tecnicismo episódico, mas uma performance em cima da aventura narrativa.

na outra mão do culto ao roteiro esperto, eu gosto da maioria das reviravoltas, sobretudo as que, ao estilo shyamalan, debatem sobre o efeito e as dobras misteriosas da própria ficção e do tempo. e criam sim, tensão formidável. algo que, lá pela quarta temporada, chega onde deve chegar e representa de certa forma um lugar onde o shyamalan não teve coragem ou interesse de chegar para flertar em seu projeto dialético de cinema – a viagem no tempo. acho que poderia haver mais, e mais, mas mesmo assim a coisa encanta.

na outra mão dos personagens, eu gosto do conteúdo sentimental de boa parte deles, ainda que suas caracterizações perpassem a filosofia de cultura-pop barata e cinema indie americano (ou seja cinema ruim). de alguns menos. por exemplo, se a kate é cria pura de sundance, não deixa de expressar alguma verdade, fora que ben é um tipo realmente impressionante.

o que há de profundamente john ford na linha-mestra da série, que é, reduzindo em última análise, uma obra bem “country” da história de um lugar e do que os homens lançaram mão para constitui-lo. trilha muito acima da média do giacchino é um instrumento bastante favorável a esse tipo de estilo de comentário/ investigação.

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no gtalk agora há pouco, pra complementar:

“claudio:  era uma análise sentimental mesmo, não queria ser perfeito

mas numa próxima abordo o fato de até em lost tudo ser sobre namoro.
eu fico puto e encantado toda vez que vai começar temporada
fico vendo na globo
no axn
fico notando as pessoas criando a novela em torno

claudio: e chego à conclusão que lost eh uma gande bobagem mesmo, um grande livrão de auto ajuda pra essa favelinha cultural que frequenta balada indie.

mas no fundo tem coisas encantadoras mesmo, embora seja tudo maneirismo.”

lost #x

Postado em Uncategorized em janeiro 9, 2010 por perdizesdream

se alguém quiser se interar sobre a primeira canção de sufjan stevens (ou mesmo dos beatles, em termos) feita por um homem, deve procurar a háry jános suite, de zoltán kodály, que a fez em 1932.

dan, ronnie, animal collective

Postado em Uncategorized em janeiro 9, 2010 por Claudio

ouvir o steely dan de royal scam, o disco e principalmente a música título, só me faz ter mais nitidez de fato de que don fagen está muito mais próximo de um ronnie foster,  de algo como the roots e o próprio q-tip, e até do animal collective de strawberry jam, do que de um marvin gaye, um stevie wonder, um dr. dog, um field music, ou algo provindo de qualquer comparação límitrofe. e registrado tb, pensando especificamente na faixa the fez, mais próximo daquilo do que de qualquer pastiche retrô de discou-progressiva buscando criar algo que na prática não existe (pós-modernidade), como cidadão instigado na meia parte de sua atuação musical (steely dan de the fez + genival  e terceiro mundo legalzinho + neil young retroagidos em laboratório). 

ronnie foster, aliás, fazendo justiça, uma das melhores descobertas tardias de 2009, o anti-cânone (restrito à poeira do catálogo da blue note, aos sebos e à maçonaria de vinis velhos de classe inaugurada em 1988 por q-tip) que talvez mais tenha refletido o caráter moderno da música negra influenciando a modernidade harmoniosa da música geral que veio em seguida.

o fato é que em momentos chave, esses (foster, fagen, panda bear de strawberry jam) sabem aglutinar as características decisivas de seu tempo e seu ambiente musical para criar uma prisão em forma de loops e insistências cíclias de estrutura, que em última instância crava à força, no ouvinte e na história que corre aquele tempo para algum outro, a marca final e resistente de um período. basta notar royal scam, mystic brew do foster, fireworks do animal collective, etc. são músicos da escola da convicção, não por causa do loop, que no mais pode refletir apenas neurose (boa ou ruim é outra história), mas por acreditarem de forma contumaz no poder de suas prosas-de-cenário, prosas que retoricamente amam a síntese e são iluminadas.

* atravessando fase bruno, logicamente

90’s x-classics: tony meola’s sidekicks

Postado em Uncategorized em janeiro 8, 2010 por Claudio

de todas as anomalias dos anos 90, incluindo os filmes de ferrara, carpenter e landis nessa década, talvez a mais impressionante ainda continue sendo os jogos de futebol bolados para super nintendo/ famicon nos estados unidos, aproveitando a onda da soccer world cup ‘94.

vejamos por exemplo o mais embelmático de todos eles: “tony meola’s sidekicks”. pra quem não manja, tony meola era o goleiro-craque-do-time americano de 94, que quase ganhou do brasil nas oitavas. tony meola era tão bom de bola que quase foi jogar futebol americano na nfl, como kicker.

a trilha foda, daquelas que mudam o tom de acordo com o andamento do jogo (tornam-se mais dramáticas e graves quando o seu time toma um gol), é um fato pequeno, muito pequeno pra explicar a anomalia que é esse jogo.

o jogo foi feito por um lab., acho que electronic brain, que tinha feito também o ncaa basketball, clássico indie dos games de basquete, famoso por sua ação em perspetvica interna dentro da quadra. não é 3d, mas é como se fosse, você acompanha os lances de dentro do campo, isso no caso do sidekicks, em que o estilo de programação foi repetido. era um realismo e tanto para 1993.

explicaram para os caras como jogava futebol acho que no briefing, o que na verdade tornou tudo muito melhor. na maneira como o jogo foi concebido, a ação dentro de campo de futebol é igualzinha àquela no basquete, com passes e dribles previstos e regulados meio numa mesma dinâmica do esporte (bem mais do que o futebol) tipicamente americano. tipo, os jogadores no tony meola’s podem trocar bola e “esperar”, como numa linha de ataque no basquete, uma brecha na frente da área. muito doido, pois você meio que escolhe um aramador e esse atua, no jogo, não como um cleiton xavier, um alex, mas como um jason kidd.

a segunda doidera, saindo da jogabilidade, diz reseito à construção ficcional do jogo. digamos que você tem 4 conferências, tipo NBA ou NFL: central, atlântico, pacífico e EUROPA. aí no chaveamento, por exemplo, você escolhe jogar com st. louis (sempre cidades), ou miami, ou detroit, e depois de enfrentar seus co-conferencionados, tipo boston, NY, HAVANA, toronto, los angeles no primeiro round (ida e volta todos contra todos), na segunda fase – se você escolheu um desses times – você cruza com digamos a conferência da EUROPA: milan, madrid, roma, glasgow etc. até ver quem decide o caneco. pode rolar um final, tipo, salt lake city contra marselha.

aí o melhor, os times americanos, tipo chicago, minneapolis, washington tem as camisas nas cores de seus equivalentes do futebol americano & basquete. de modo que, tipo, detroit é que nem detroit lions, cinza/ azul/ branco, new york é tipo giants, azul e vermelho, o time de soccer de pittsburgh leva as colorações tigressas de seu conterrâneo da nfl, os steelers.

depois que a publicidade, mas sobretudo seu superior imediato na escala dos valores fascistas fundados após 2001, o POLITICAMENTE CORRETO, venceu nesse mundo propenso ao charlatanismo reeducador, queria ver se uma iniciativa foda e livre de espírito como ‘tony meola’s sidekicks’ seria inventada. nunca sairia do, digamos, quarto comitê da aprovação, nem chegaria à nintendo pra ser lançado para um mercado que o enxotaria acusado de 1: inverossímil 2: americano demais.

adventureland

Postado em Uncategorized em janeiro 7, 2010 por Claudio

um crime faltar a citação ao live set do best hits (google myspace best hits, blog no myspace link baixar show de abril) nas minhas apreciações de final de ano, e, pior, nas listas de melhores do ano. nunca daria essa bola prum set, mas esse é tão anômalo, especial, diferente, que seria o caso. se fosse agora, é óbvio que eu daria um jeito de colocar isso na lista dos que olharam pra frente. é o projeto-banda do cara do twins, e pra mim é um divisor de águas recente do free-electronics lo-fi. uma viagem aguda por águas não exatamente calmas, mas de certa forma cristalinas (tudo é de uma clareza de objetivo espantosa, cada efeito) e constantes, que, pedindo estado privilegiado de consciência do ouvinte, rendem aproximação com uma estética realmente instigante. uma ilha, de vegetação, gestos e loucuras já catalogados, mas não muito sondados. hedonismo imaterial, hedonismo da (do senso de) aventura.

animal collective

Postado em Uncategorized em janeiro 6, 2010 por Claudio

quando noah começa a cantar my girls, está mais do que claro que a jornada que está por vir, mais do que qualquer desdobramento corretivo do espírito rave dos 00’s, mais do que qualquer intenção de reencontrar o pacto harmônico com uma certa tradição barroca/ gospel/ provincianista americana, mais do que qualquer babaquice dita pelos nerds pós-79 de doutrinamento na cultura pop, descende diretamente da trinca yes album, close to the edge e fragile: ou seja, transcendentalismo da experiência melódica humana dentro da música pop, elevada a um grau sônico de hiper-fruição (traduzindo: sons elaborados, pra ouvir alto, pra cantarem alto).

merriweather é a trilha não de 2009, mas de uma nova religião, de um novo sentido religioso, que aí sim, nada a ver com a liturgia yes, deve pouco para a conduta purificadora transcendente dos anos 70, mas muito à doutrina pluralizadora da contemporaneidade que o criou: tudo e todos cabem na barca do novo mundo, onde vamos cantar e dançar a  nossa “pureza” (não corporal, não espiritual, como squire & cia propunham), mas intelectual. aquela que esquece, por princípio, da produção e fortuna intelectuais anteriores a ela.  quer esquecer. um zero não de conduta, mas de partida. um zero anti-histórico, mesmo que fique claro que 1 - isso sirva diretamente bem mais à manada beata que ”celebra”, reza, em torno dessa produção musical e 2 – o grupo é fã completista, sim, de toda a obra do yes, em primeiro, e em segundo do brian wilson: não é um grupo desvinculado da história. não é um bando de  idiota, em suma.

se alguém quiser começar a criticar o animal collective, esboçar um conceito crítico minimamente aceitável, será possível via esse percurso. o percurso de uma “purificação” litúrgica/infantilista, populista, “boazinha” (nada de mais significativo e simbólico desse neo-abarcamento “para  o bem” de tendências, etnias, aldeias etceteras do que o que o animal collective vem trazendo) imposta pelo novo mercado da indie nation americana, um percurso new-age transportado em termos claro para o brasil, com a mãozinha do novo mercado de serviços de entretenimento cultural do bem” tb, “alto astral”. com a ressalva de que na festa de natal que eu fui, a pista esvaziou para my girls, o que prova que a geralzona está em estado catártico “pré-religião”, pagão eu diria. e vai continuar por todo sempre (sendo o que pior: neo-evangelização ou paganismo?).

bravata simples (contra o animal collective) é coisa pra anta. assim como aderência pura e simples é pra ingênuos e/ou pilantras.